Pilot Season: Will & Grace (NBC)

O texto que se segue NÃO CONTÉM SPOILERS

Com a produção televisiva norte-americana a ganhar enorme relevo na última década, seria expectável que, mais tarde ou mais cedo, a cada vez mais vincada tendência dos remakes, sequelas e spin-offs sentida há já algum tempo nas produções cinematográficas se começasse a propagar para o pequeno ecrã. Como uma infecção incontrolável, a virose tem atacado sobretudo os canais denominados “de sinal aberto” (ABC, CBS, FOX, NBC e The CW), cada vez mais vazios de audiências, de reconhecimento e, sobretudo, de ideias. “Will & Grace” é o mais recente título a ganhar nova vida como resultado desta moda.

Passaram onze anos e o mundo mudou. No entanto, “Will & Grace” continua a fazer sentido. O humor mordaz e corrosivo da série mantém-se intacto, continuando a dotá-la do politicamente incorrecto e… correcto. Através de piadas dizem-me muitas verdades que se tornam mais aceitáveis do que quando ditas com toda a seriedade do universo e o seu impacto pode, apesar de nem sempre, ser semelhante. A série sempre carregou consigo a responsabilidade auto-imposta de tentar moldar mentalidades e, perante a realidade política actual nos EUA, o seu regresso sente-se mais necessário do que nunca.

Com Donald Trump como alvo fácil de qualquer comediante ou argumentista de comédia norte-americano, era expectável que a dupla David KohanMax Mutchnick se servisse de todas as armas que facilmente tem à sua disposição graças aos constantes tropeções da Administração Trump. E claramente não se coíbe de as arremessar.

Existe, no entanto, uma certa dificuldade naqueles que estão afastados da realidade política norte-americana, ou quando essa não vai além da figura de Trump, em decifrar todas as referências ou absorver o grau de acidez das mesmas, o que faz com que “Will & Grace” nem sempre funcione junto de determinados públicos (seria o mesmo que um americano a ver o “Donos Disto Tudo”, por exemplo). É inevitável. Porém, quando as alusões são familiares, raramente falham a marca e dificilmente não arrancam uma gargalhada. Ou pelo menos um sorriso.

E é por tudo isto que o regresso de “Will & Grace” é, de entre todas as séries que regressaram até à data, o mais pertinente e aquele que mais facilmente é entendido. É mais um grito de revolta contra o sistema, uma voz tão necessária como todas as outras que têm assumido um papel semelhante para que, daqui a quatro anos, o mundo possa vir a ser, esperamos todos, um bocadinho melhor.

4 opiniões sobre “Pilot Season: Will & Grace (NBC)”

  1. Nunca vi a série original, apenas sei alguns detalhes (poucos) sobre a mesma. Mas ainda assim, apanhei alguns comentários online que, juntamente com o início do episódio, tornaram claro que este regresso ignora o final original da série. Ora, para além de achar que isso é um grande “Fuck you” aos fãs, não achei grande piada ao episódio. Tudo piadas fáceis, tudo coisas que não surpreenderam… enfim. Achei muito básica.

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  2. Nunca cheguei a acabar a série por isso nem senti o passar do tempo com este regresso. As personagens continuam com piada e deu para matar saudades. Acho que vou continuar a ver!

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