Mr. Robot: 3×02 – eps3.1_undo.gz (USA)

O texto que se segue CONTÉM SPOILERS

Nós Humanos somos criaturas de hábitos, criamos rotinas para conseguirmos maximizar o nosso tempo, o problema é que devido a esse hábito a linha que o separa da depressão é bastante ténue mesmo que o desejo seja mudar, sendo que é isso mesmo que Elliot se prepara para fazer.

Ele que agora trabalha para a Evil-Corp tem o propósito que tanto ambicionava, o grande problema é que no final do dia a única coisa que lhe sobra é a solidão, aquele sentimento cai-lhe como uma pedra, esmaga-o até ao ultimo suspiro, a dor e isolamento que ele julgava estar a ultrapassar regressa em maior força muito por culpa da ausência de Darlene. Mas a sua maior fonte de sofrimento vem da ausência de quem menos se espera, Mr.Robot. Sem ele fica incompleto, mesmo sabendo do que o seu némesis é capaz, quando ele diz à irmã para ficar com ele não é mais do que uma maneira de perceber se ela é o gatilho para o surgimento do “pai”. Interessante ver que um personagem que “abominava” o contacto com os outros agora sofra com a ausência do mesmo. E o que dizer da montagem inicial e do facto de ele chamar à empresa um “mal necessário” depois de ter lutado contra esse mal? Simplesmente perfeito. Outro toque delicioso foram as expressões em emoji, que tanto revelam sobre a sociedade actual.

Tudo excelentes cenas, mas nada comparado com a sessão de terapia. O facto de Mr.Robot falar com Krista faz perceber a Elliot que ele sempre esteve ali, mais, compreende que pior do que estar sozinho é o seu outro ”eu” estar presente mas que simplesmente não quer manter mais nenhum contacto. Os diálogos nesta sessão foram excelentes, a crispação a subir de tom deixou Krista e a nós em pulgas para saber se algo mais grave iria acontecer, e claro, Rami voltou uma vez mais a demonstrar toda a sua qualidade.

Mr. Robot: “Elliot never told me how attractive you are. You know, for a shrink, you’re pretty foxy.”

Joanna que ainda não tinha dado o ar da sua graça regressa com um estrondo. A sua morte foi tudo menos previsível e criou impacto, não só pela componente visual mas sobretudo porque era uma personagem importante, mas com estes desenvolvimentos talvez não tivesse tanta relevância quanto aquela que achávamos que tinha. A crueldade do assassino foi palpável e se a cena já era crua, ainda o foi mais quando vimos o bebé encharcado em sangue, se a morte de Joanna ainda não era certa, ficou a ser noutro momento repleto de frieza quando vemos o seu crânio a ser aberto.

A mensagem de que por mais poder que tenhamos sobre os outros nunca estamos realmente a salvo, ou quando descartamos alguém quando já não é necessário não significa que esse alguém não regresse para se vingar e que aí o poder não nos pode salvar, é bastante importante e é peça fundamental no xadrez da série. Tudo muito bom mas esta morte foi agridoce, foi porque ela era uma personagem carismática, andámos muito tempo investidos no seu plano para reencontrar Tyrell e a sua vingança sobre Scott. Quando parte do plano é cumprido ela morre e ficamos com a sensação de que ela podia e devia ter dado muito mais, nomeadamente a sua dupla com Elliot, pareceu que o seu trajecto era apenas o de acabar com um personagem secundário o que a ser verdade é mau.

O jogo de poder entre Price e WhiteRose está ao rubro e promete atingir o pico rapidamente. O facto de Price querer que a China ceda ao ECoin é compreensível, agora o que falta compreender é a razão de WhiteRose querer a aprovação da junção do Congo à China. “Don’t mistake my generosity for generosity” diz Rose numa clara alusão de quem manda e por ter na mão um trunfo importante, Angela. Mais importante do que isso é perceber que por detrás da máscara que transpira tranquilidade, decide iniciar a Fase 2 mesmo que consiga o Congo o que demonstra algum nervosismo naquele corpo gelado. O porquê desta decisão e em que é que consiste esta fase são perguntas que aguçam a curiosidade e espero que não demorem a satisfazê-la.

O facto de Darlene estar a cooperar com o FBI não é novidade nenhuma, mas continuar a explorar as fragilidades da personagens tem sido interessante, ela sente que faz o correcto mas ao mesmo tempo sabe que trai o irmão, sente a culpa enquanto está encurralada, mas ainda o sente mais quando ouve a conversa telefónica entre Elliot e Tyrell, aí esse sentimento cresce exponencialmente. O plano que se vai aproximando da sua face é revelador do que lhe vai na alma. Dom essa, teve muito pouco tempo de antena e é uma pena, mas com a chegada de Elliot espero que isso mude e que ele encontre finalmente um aliado.

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