O Bom, o Mau e o Vilão: As delícias de Nero

Breves apontamentos e reflexões sobre a actualidade televisiva.

O Bom

Eclipse mediático

Não sei se faz sentido colocar no bom. A semana ficou marcada por mais uma vaga de incêndios. A semana ficou marcada por mais uma maratona informativa. A semana ficou marcada por mais uma enxurrada de especialistas de aviários e políticos que de nome só têm aquilo que ostentam porque do ponto de vista da atitude é do mais politiqueiro que pode haver.

Esqueçamos a opção choque. Uma vez mais, a generalidade da opinião pública acompanhou avidamente as notícias. Uns em choque, outros com medo, outros com estupefacção, outros para ver sangue. Mas quero acreditar que uma vasta maioria verdadeira e genuinamente interessada naquilo que se passava.

No meio do mau, acredito que vá passando a mensagem de que é preciso fazer algo, temos que ser interventivos, temos que ter uma cidadania activa, exigente e consequente.

No meio disto tudo, pouco tempo fica para vasculhar pepitas no universo da ficção televisiva.

O Mau

A impreparação jornalística

Já foi falado uma vez há uns meses aquando dos incêndios de Pedrógão Grande. Há altura as coisas em termos de cobertura noticiosas foram genericamente boas, com o “lapso” da TVI a ser a excepção.

Desta vez não. No meio da estupefacção, da confusão, do fumo, a informação esteve à deriva. O que saltou à vista: a impreparação de grande parte dos jornalistas, em especial dos mais novos, com uma falta de qualidade nas questões colocadas (o típico “acha que…”, “não acha que os bombeiros/o estado…”. Não se colocam estas questões, porque o não são do ponto de vista jornalístico.

 

O Vilão

A banalização da tragédia

Em toda esta situação, a banalização da tragédia é das coisas mais perigosas que poderemos ter.

Na situação conhecida por Pedrógão Grande, ficou patente que a tragédia foi encarada como uma questão humanitária. O país procurou ajudar, mobilizou-se, uniu-se. E essa atitude traduziu-se na informação televisiva, com um jornalismo que procurou ser contido e sóbrio, sublinhando os casos positivos de acção.

Desta vez, a situação foi encarada como claramente política, exigindo-se responsabilidades aos decisores. Mas foi-se mais longe, exigiram-se cabeças, demissões, penalizações, processos. O eco humano ficou para segundo plano.

E com ele, a devastação a que assistimos, o número de mortos a aumentar e a somar, a área ardida, as transmissões reveladas, as lágrimas de dor ou de medo, as horas e horas de fogo, que efeito terá nos espectadores? Temo que se conduza a uma banalização da tragédia, do sofrimento, a exemplo do que aconteceu noutros tempos históricos e noutros quadrantes não muito afastados de nós.

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