Star Trek: Discovery – (1×05) – Choose Your Pain (Netflix)

O texto que se segue CONTÉM SPOILERS

“Choose Your Pain” pega naquilo que me tinha deixado de pé atrás no episódio que lhe antecedeu e dá-lhe uma resolução digna. E essa é mais uma razão para enaltecer “Star Trek: Discovery”.

Tal como previamente afirmara, a utilização do tardígrado como “motor” para as viagens espaciais instantâneas introduzidas nesta nova “Star Trek” deixaram-me a suspensão da descrença agitada. Mesmo que seja cientificamente plausível (e, entretanto, andei-me a instruir e parece que recentemente esta foi considerada a espécie mais resistente encontrada no planeta Terra), a mecânica da coisa parecia-me algo desproporcionada. Mas a série soube jogar com isso. Não só criou uma linha de argumento que potenciou a exploração de um outro lado da Michael, mais focado na empatia em detrimento de alguma frieza que ela por vezes demonstra (devido à sua educação vulcana, certamente), como ainda aproveitou para tocar num elemento social sempre actual (a crueldade perante os animais de forma a justificar o avanço humano), e com uma conclusão a lançar uma nova linha de argumento que promete agitar a série nos próximos capítulos (com o Stamets a sofrer as consequências da sua opção em injectar-se com o composto de ADN do tardígrado). Em apenas 40 minutos, a série uniu da melhor forma três vértices e rapidamente me fez esquecer das críticas que lhe havia feito no quarto episódio.

Aliás, este episódio voltou a deixar claro que a série cruza muito bem as suas linhas de argumento. Nunca são somente paralelas com um ponto de intersecção a determinada altura (geralmente, o cruzamento faz-se no último acto). Na realidade vão-se imiscuindo à medida que a história se vai desenrolando e o processo flui com segurança. O tratamento abusivo do tardígrado está intimamente ligado à captura do Lorca por parte dos Klingons (é na urgência de salvar este que os direitos dos animais são postos de lado), que por sua vez está intimamente ligada à relação de amor-ódio entre a Michael e o Saru .

Estes dois andam às turras desde o início. Justificavelmente. Há nesta relação muitos sentimentos derivados do seu historial, muitas feridas a sarar, e a série não se coíbe de os explorar. Quem sai a ganhar somos nós que, enquanto espectadores, criamos uma maior empatia para com estes “desconhecidos”. Quando temos personagens relacionáveis, quando os sentimentos que expressam nos são mais familiares, o prazer em observar a sua história é maior. A série não se sente tão impessoal, como acontece com algumas das suas antecessoras onde o conflito ou é esporádico ou superficial, sentindo-se artificial.

Por sua vez, a captura do Lorca proporciona mais elementos para substanciar a história. Temos a introdução de duas novas personagens, distintas, que enchem o ecrã com a sua presença e trazem consigo algum mistério, temos uma nova incursão à dinâmica Klingon, apesar destes ainda estarem muito reduzidos ao papel dos “monstros que nos querem fazer mal”, e, acima de tudo, temos um desfiar da complexidade que caracteriza o Lorca. É esta abordagem dedicada e incisiva a cada um dos elementos da série que tanto me tem deixado tão satisfeito com “Star Trek: Discovery”, tendo-se tornado uma das minhas favoritas desta nova temporada. Espero que, a continuar assim, que continue por muitos anos (e pelo menos mais um já sabemos que vamos ter).

3 opiniões sobre “Star Trek: Discovery – (1×05) – Choose Your Pain (Netflix)”

  1. Boas, não sei se este é o sitio certo para esta pergunta mas gostava de saber se o vosso podcast ainda é feito. Não passava no vosso site há uns 2 ou 3 anos por isso estou um bocado out of the loop.

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