Rellik (T1): Play. Stop. Rewind.

O texto que se segue NÃO CONTÉM SPOILERS

Quando um tema está por demais batido e começa a faltar a imaginação para encontrar novas histórias, há que arranjar uma nova forma de vender o produto. Em “Rellik”, a forma encontrada foi a de contar uma história de trás para a frente. Mas terá sido a melhor opção?

Tal como a série que será abordada, vamos começar pelo final e dar desde já o veredicto: nem por isso. E, tal como na série que será abordada, vamos agora voltar atrás para explicar porquê.

Criada pela dupla Harry e Jack Williams (criadores de uma das favoritas cá da casa, “The Missing”), a série acompanha o detective Gabriel Markham (Richard Dormer) e a sua equipa na tentativa de capturar um terrível assassino em série que tem por hábito queimar as suas vítimas com ácido. Começamos a série a ver o presumível assassino a ser apanhado e morto e, ao longo dos seis episódios que constituem a primeira temporada, vamos voltar atrás no tempo para confirmar se este foi mesmo o verdadeiro culpado e perceber quais as motivações para o crime. A cada episódio, assistimos a pequenos momentos da investigação, para logo de seguida haver uma pausa e um “rewind” no tempo.

Se, do ponto de vista meramente estético, estes efeitos especiais são interessantes, esta é uma forma algo confusa de contar uma história, e que nem sempre acaba por funcionar bem. Desde o início percebemos que algo de estranho se passa e de que o primeiro a morrer talvez não fosse o responsável, mas acompanhar o desenvolvimento do caso, perceber todas as motivações que levam ao ponto inicial e aceitar a história que nos está a ser contada, não é tarefa fácil – especialmente quando, à medida que são reveladas as diversas surpresas, nos vamos apercebendo de alguns buracos no argumento e, até mesmo, na lógica  (aquele zoom absurdo no penúltimo episódio mais parece saído de um qualquer episódio de “CSI” do que de uma série da BBC, obrigando a um suspender da realidade que não é habitual deste lado do grande lago).

O grande problema, no entanto, acaba por não ser só a forma como a história está a ser contada, mas também personagens. E aí, infelizmente, não há mecanismos estéticos que nos salvem. Do detective à sua parceira Elaine Sheppard (Jodie Balfour), que parece que está lá só para dar corpo ao manifesto (literalmente), dos informadores com as suas histórias paralelas aos criminosos que só servem para distrair e às restantes pessoas de interesse da investigação que parecem surgir de todo e qualquer buraco, não há nenhuma personagem verdadeiramente cativante por possamos torcer. E sem personagens por quem possamos torcer, não há muito que se possa salvar.

Contar uma história do final para o início era uma boa ideia, sim. Infelizmente a execução deixou muito a desejar, por isso, em vez de perderem seis horas a ver “Rellik”, o melhor mesmo é ver (ou rever) o excelente “Memento”. Certamente ficarão mais bem servidos.

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