American Vandal (T1): “I’ll never understand what’s so amusing about penises”

O texto que se segue NÃO CONTÉM SPOILERS

Um acto de vandalismo coloca em causa o futuro de um jovem conhecido pelas suas palhaçadas. Expulso da escola após ser considerado culpado, apesar de manter a sua inocência, cabe a dois dos seus colegas descobrir a verdade, encetando uma investigação que decidem registar em forma de documentário. É esta a premissa de uma das mais recentes apostas do Netflix e uma das séries mais geniais dos últimos tempos.

“American Vandal” sente-se de tal forma realista que podia ser um documentário, mas não é.  Na verdade é uma série de comédia disfarçada de documentário, género denominado de mockumentary, que satiriza a mais recente tendência de séries documentais de crime real, entre as quais se destacam “Making a Murderer” (também do Netflix) e “Serial” (em formato podcast).

Transporta-nos para o seio de uma escola norte-americana, mas não se deixa fragilizar pelos estereótipos perpetuados pelas séries teen da televisão norte-americana. Em vez disso, abraça-os, extraindo-lhe uma veracidade poucas vezes vista. O balanço entre drama e comédia é exemplar, com a comicidade das situações a apresentar-se de forma natural e o drama a nunca ultrapassar a plausibilidade. Não há exageros, seja em qual dos registos for, e esse é o seu grande triunfo.

Sente-se tão real que poderia mesmo tratar-se de um documentário e para isso em muito contribui o elenco. Se entre os adultos se encontram algumas caras minimamente reconhecíveis (apesar de não muito reconhecíveis), ou seja, que já carregam consigo algum traquejo nestas andanças, é nos mais jovens que recai grande parte das responsabilidades. E estes revelam-se à altura (uns mais que outros, naturalmente, mas a generalidade revela-se ao nível do desafio).

Muito mais do que piadas de cariz sexual, sobretudo relacionadas com pénis, os oito episódios que compõem a primeira temporada são um olhar incisivo sobre uma geração que se sente à deriva, mas na qual se teima (e ainda bem) em não perder a esperança. Há um claro sentido de que, no meio de uma premissa hilariante, prevaleça a lucidez e se realcem importantes lições de vida. O final, um dos momentos mais reflectivos de toda a temporada, executa-o na perfeição, dando o empurrão definitivo para que “American Vandal” se tenha tornado uma das minhas preferidas desta temporada televisiva.

3 opiniões sobre “American Vandal (T1): “I’ll never understand what’s so amusing about penises””

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