RC (5-11 Nov 17): Fiona apaga a conta

Aqui emparelhadas duas séries sem quaisquer papas na língua.

“Shameless” está de volta com a sua oitava (!) temporada: RIP Liam. “You’re the Worst” lá continua a sua queda no ridículo.

Ao contrário de “Shameless”, que teve na quarta temporada aquela que ainda hoje considero como a sua melhor, “You’re the Worst” tem na sua equivalente a mais fraca temporada até à data.

 

Shameless: 8×01 – We Become What We … Frank!

Recentemente renovada para uma nona temporada, a versão americana de “Shameless” não exibe quaisquer sinais em querer abandonar o panorama televisivo tão cedo. Se apresenta sinais de desgaste? Sem sombra de dúvida. As personagens encontram-se num loop de más decisões há vários anos, alimentando a ideia de ser impossível uma evolução de carácter. Ainda que bastante desequilibrada na qualidade, a sétima temporada conseguiu transparecer uma aura de transformação irrevogável. Já aqui abordei a mudança de postura da protagonista feminina. Já aqui elogiei a decisão de eliminar definitivamente a matriarca ausente dos Gallagher. Se é certo que “Shameless” se desgasta ano após ano, a verdade é que a morte de Monica se sentiu como ponto de viragem de louvar. Com base no episódio de estreia, a presente temporada irá atentar nessa quebra de ligação com a mulher que em nada lhes foi mãe. Têm aqui uma hipótese para que a série volte a ser a lufada de ar fresco que outrora foi.

Infelizmente, largando o motivo da temporada anterior e fechando os olhos às perspectivas de um possível luto, o primeiro episódio é parco em momentos de interesse. A metamorfose gradual de Frank (William H. Macy) que aqui se prenuncia? Em plena oitava temporada, dir-se-ia necessária para uma narrativa dormente. Tratando-se de “Shameless”, há a grande possibilidade de não ser mais que mero fogo de vista.

No pólo oposto, Fiona (Emmy Rossum) continua a desprender-se dos velhos hábitos. Renega a fugaz gratificação sexual em detrimento de conexão, como que em jeito de resposta à morte da mãe. Pilar de “Shameless”, Fiona é concebida com inúmeros altos e baixos, promessas de mudança e posteriores quedas nos mesmos erros. Algo parece ter mudado na temporada anterior no que toca à postura da personagem, deixando sempre no ar a pergunta: até quando? Por muito humana que possa ser essa infindável recaída, “Shameless” merecia sair desse marasmo que lhe foi constante em grande parte do percurso. Enquanto não regredir, Fiona continua a ser a personagem mais cativante para acompanhar. Será que num momento de desespero por dinheiro, a iremos ver a desenterrar a mãe para reaver a droga? Sem dúvida que encaixaria no ADN da série.

Numa nota final, não é que finalmente arranjaram um actor para interpretar Liam? Não mais aquela pedra ausente de qualquer expressão facial. Por muito estranha que seja a mudança, temos agora um actor que, imagine-se, tem linhas de diálogo minimamente credíveis na entrega.

 

You’re the Worst: 4×11 – From the Beginning, I Was Screwed

Antes do episódio duplo que irá encerrar a temporada, “You’re the Worst” entregou mais um capítulo desequilibrado na qualidade e que compensa pelo instante final. Repentino, é certo, tendo em conta que ambos os protagonistas pouco se cruzaram no decorrer da temporada, mas que relembra a passagem de tempo como característica para um casal que se mostrou bastante atípico desde o início. Nada se resolve naquele instante, apenas se sucumbe à saudade e ao confortável. A química continua presente por inteiro, a excelente troca de diálogos idem. Não deixa de ser de louvar que falem tão abertamente entre si sobre as tentativas sexuais com outros parceiros.

Edgar (Desmin Borges) abraça o seu passado como veterano de guerra, apenas para mais tarde se ver renegado por isso. Uma amizade pobremente trabalhada, que acaba por não ter o impacto devido quando finda. Serve mais o propósito de anular a personagem, fazê-la sentir que ambas as facetas não podem coexistir. A amizade de um narcisista Jimmy (Chris Geere) é o máximo que pode almejar?

A escrita que ronda Lindsay (Kether Donohue) é tudo menos subtil. Foi preciso trazer Paul (Allan McLeod) para lhe ser atirado à cara que as suas acções têm repercussões naqueles que a rodeiam. A quarta temporada arranca de Lindsay uma epifania atrás de outra.

O que resta? Uma hilariante prestação de uma Gretch (Aya Cash) francesa, que poderia muito bem ser selo de apresentação da irreverência da personagem.

3 thoughts on “RC (5-11 Nov 17): Fiona apaga a conta”

  1. Shameless. Que saudades. Uma das séries que mais gosto. Sim, reconheço esses altos e baixos e reconheço algumas linhas narrativas fracas, mas no geral, é mesmo muito bom. Espero sinceramente que não puxem o tapete à Fiona agora que ela começa a endireitar a sua vida, a ter algum conforto financeiro, etc.

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    1. Já há alguns anos que não sou assim tão entusiasta quanto tu, mas depois de uma 5ª temporada tremida e uma 6ª que considero sofrível, recuperou um pouco na 7ª com mudanças significativas. E se há algo que continuo a adorar em “Shameless” é mesmo a química entre as personagens, tão “fácil”, tão genuína, chega a parecer documental quase. Ainda que agora estejam mais dispersos uns dos outros, essa química ainda lá se mantém. E claro, continuo a gostar imenso de acompanhar a Fiona 🙂 Talvez por isso também compartilhe desse receio, não só por gostar bastante da personagem mas porque já a fizeram regredir inúmeras vezes no passado. Estou sempre ansioso com a possibilidade de que o voltem a fazer. Por enquanto, parece continuar bem encaminhada.

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