Lady Dynamite (T2): O maior freak show de 2017

O texto que se segue NÃO CONTÉM SPOILERS

Maria Bamford continua na sua missão de derrubar os estigmas em torno das doenças mentais. “Lady Dynamite” mantém-se veículo semi-biográfico do coexistir da comediante com a sua doença bipolar de tipo II. Dada a conturbada base de inspiração, acaba por se resguardar como série de nicho. Em plena segunda temporada, ainda deixa o espectador com uma sensação de estranheza perante a faceta surrealista que exibe os contornos da mente da própria actriz. Por entre situações irrisórias, “Lady Dynamite” dispõe laivos de genialidade que tanto contam sobre uma Hollywood corrosiva.

Com cada um dos episódios da segunda temporada divididos em três linhas de tempo, “Lady Dynamite” coloca a protagonista num futuro delineado pela escolha desta em vender a sua integridade, abrindo gradualmente mão de um programa que se prometia a desmistificar a bipolaridade. Hollywood quebra-a, retira-lhe a autoria, conduzindo-a aos poucos a um episódio de hipomania. Até mesmo o trabalho de câmara contribuiu para essa “entrega” à doença, com aproximações repentinas, movimentos aleatórios, tudo em prol de uma maior quebra da realidade.

“Lady Dynamite” é uma série bastante consciente de si mesma, das sátiras a que se propõe e de como as mesmas se apresentam tantas vezes como mutáveis no significado. A certa altura, numa mesa ocupada unicamente por mulheres (em oposição a um painel composto por homens para abordar a legalização do aborto), discute-se o feminismo como não tendo lugar em Hollywood.

Apesar da sua bizarria constante (um autêntico freak show sem precedentes), a estrutura de “Lady Dynamite” não foge muito à norma. A mãe e a carreira como pressões externas que afundam (literalmente) a sanidade da protagonista, fazendo-a trabalhar na mais hercúlea das tarefas: dizer “não”.

Dotada de um humor difícil de engolir, dado o distanciamento do espectador, “Lady Dynamite” continua a exibir-se como dona de si mesma. A cena que abre a temporada é exemplo disso mesmo, com Maria Bamford a mover o corpo de forma a evitar a pixelização que lhe censura o corpo nu para o espectador. Pequenina afronta numa metalinguagem recorrente ao longo da série.

Junto a outras séries contemporâneas como “BoJack Horseman” e “You’re the Worst”, “Lady Dynamite” é mais um exemplo de como fazer jus aos distúrbidos mentais como via narrativa.

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