Star Trek: Discovery – (1×08) – Si Vis Pacem, Para Bellum (Netflix)

O texto que se segue CONTÉM SPOILERS

“Si Vis Pacem, Para Bellum” é o episódio de “Discovery” mais “Star Trek” até à data. Sim, sei bem que esta afirmação é idêntica à feita por mim em relação ao episódio anterior, mas não deixa de ser correcta.

Para clarificar, porque parece que uso sempre as antigas “Star Trek” como termo de comparação depreciativo, considero-as boas séries mas muito fechadas, reféns do seu mote, “to boldly go where no man has gone before”, da exploração de novos mundos e civilizações, que muita vezes sentia não lhes ser permitido mais do que uma visão amorfa de um Universo inerte. “Discovery” vejo-a mais como uma seguidora desta nova geração de ficção televisiva, a da Idade de Ouro, impulsionada por séries de referência dentro do género como “Battlestar Galactica”, onde o conflito é fulcral à narrativa. E cada vez que “Discovery” se aproxima das outras séries do franchise, sinto-o como um retrocesso.

Ainda que directamente relacionada com a guerra, a viagem a Pahvo, um planeta supostamente desabitado cujas condições únicas impulsionam a Federação a tentar alterá-las para criar um sonar que permita localizar as naves camufladas dos Klingons, marca um desvio da narrativa principal e um regresso às bases do franchise. Uma pequena equipa desloca-se ao planeta, encontra o inesperado (seres únicos, nunca antes vistos), alguém é afectado por influência das condições em que se encontra (calhou ao Saru) e o objectivo da missão é colocado em risco apesar de, à última, tudo correr tal como previsto (ou quase). Tudo o que se espera ver está lá, porque é uma estruturação narrativa típica, banal mesmo, sem grandes surpresas e sem grandes consequências. Dá-nos um melhor conhecimento do Saru como personagem? Sim. Impulsiona um pouco mais a aproximação Burnham/Tyler? Sim. Tem impacto directo no arco principal? Tem, uma vez que os habitantes de Pahvo ingenuamente (no sentido de não terem perdido a fé no poder do diálogo com espécies primitivas) decidem chamar os Klingons de forma a mediarem a paz. Mas são 40 minutos essenciais à história? Não, pois facilmente poderiam ser um mero prólogo de 5 minutos no início do episódio seguinte.

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