Godless (T1): Um Western clássico de mão dada com a contemporaneidade

O texto que se segue NÃO CONTÉM SPOILERS

Será possível ter um produto com raízes puramente clássicas adaptado com credibilidade de forma a que se sinta actual na sua abordagem? “Godless” diz-nos que sim.

A premissa de “Godless”, minissérie (a referência a “Temporada 1” na imagem deste post é puramente fé da minha parte em que esta história tenha continuação, mas nunca se sabe…) criada para o Netflix por Scott Frank (que é só o argumentista do melhor filme de super-heróis últimos anos, “Logan”) e produzida por Steven Soderbergh, é o seu mais importante elemento, pois permite-lhe construir uma história carregada de classicismo mas completamente aberta à nossa actualidade.

Uma cidade onde, após um trágico acidente que vitima a quase totalidade dos homens, é governada por mulheres. É este o ponto de partida. É esta a abertura para personagens femininas fortes e independentes, que facilmente se podem tornar modelos de referência e longe da maioria daquelas a que nos habituámos a ver em Westerns. É também por aqui que se abre a porta à exploração de temáticas, como a orientação sexual, poucas vezes abordadas em histórias de cowboys. E isto enquanto tudo o que aqueles que adoram em Westerns continua lá. Os terríveis fora-da-lei, o herói à procura de redenção pelas escolhas do passado, o romance possível, desejado mas pouco conveniente, o xerife caído em desgraça que tenta um regresso à glória do passado, o vilão aterrador mas complexo, sem existir meramente como antagonista.

Escrita e realizada na totalidade por Scott Frank, tem na fotografia de Steven Meizler um dos seus pontos mais fortes. Sente-se uma vitalidade na aridez de um deserto sem nunca lhe retirar a sua inerente esterilidade. Um contraditório que sustenta a narrativa, onde o pouco que se tem é tudo para quem tem pouco.

Com interpretações de grande qualidade (venham de lá nomeações a prémios para Merritt Wever e Jeff Daniels, se faz favor), a minissérie ressente-se da sua longa duração. Há pouca história para tantas horas e isso nota-se, especialmente nos episódios intermédios. Ainda assim, e mesmo que o destino de várias personagens se encontre escrito após sete episódios, acredito que a cidade de La Belle ainda tem certamente mais histórias para contar. Precisam é de ser melhor estruturadas e sustentadas em termos narrativos.

Um pensamento em “Godless (T1): Um Western clássico de mão dada com a contemporaneidade”

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