Crónicas (T3): Temas antigos, novas ideias

Faz parte do ritual sazonal. Por cada época nova de séries, haverá sempre algumas que obrigatoriamente andarão à volta de temas que já há muito fazem parte do mundo televisivo. O sistema de saúde, o da justiça e o político, são 3 desses pilares. E como muitas vezes as ideias parecem faltar, aqui vão algumas da minha parte. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

Nome: aquela em que os tribunais não existem
Premissa: Após muitos anos em que os tribunais detinham o exclusivo de julgarem e condenarem pessoas ou entidades, a sociedade revoltou-se (pacificamente) e criou os seus próprios tribunais sociais. Várias companhias tecnológicas lutam para ter a supremacia das sentenças sociais mas a palavra pertence sempre aos utilizadores das plataformas.
Ideia do pilot: numa pequena cidade do interior, um grupo de vigilantes sociais anda de câmara em punho a documentar toda e qualquer divergência social (segundo os seus padrões) e a expor os “culpados” online. António, farto de ser acusado de coisas perfeitamente banais e marginalizado por toda a cidade, decide investigar o grupo e começar a vasculhar o lixo (literalmente) deles. Ninguém acredita no que ele acaba por encontrar.
Longevidade: a série tem pernas para andar e para durar muitas temporadas (até porque é um verdadeiro escape da nossa realidade). Depois de um dia de trabalho, nada como assistir a alguma justiça social sem direito à presunção da inocência.

Nome: aquela em que um palhaço chega a presidente do país
Premissa: um palhaço farto da sua vida no circo (teve sempre que entreter pessoas e nunca pôde dizer aquilo que pensa) decide candidatar-se à presidência do seu país. Fruto da sua sinceridade, ele dispara em todas as direcções e marginaliza tudo e todos. Os direitos humanos é algo que ele nunca ouviu falar.
Ideia do pilot: durante um comício em que só homens caucasianos estão presentes, as mulheres e as raças não representadas no comício são constantemente vilipendiadas pelo palhaço. A imprensa dá enorme destaque às suas palavras e realça as frases mais disparatadas. No final do episódio, ouve-se um som de um flashforward e eis que o palhaço está à frente dos destinos do país
Longevidade: zero. A premissa tem pouca lógica e o pilot seria certamente rejeitado por qualquer canal pois a ideia é arrojada em demasia e nunca tal pessoa seria capaz de ser eleita e comandar um país.

Nome: aquela em que hospitais não têm condições de trabalho
Premissa: série que se debruça sobre as condições de trabalho nos hospitais.
Ideia do pilot: Uma mulher é transportada para o hospital para dar à luz, mas a ambulância em que se encontra avaria pelo caminho. Afinal a peça que iria aguentar mais 1000 Km aguentou só 950 e é ali no meio da serra que o bebé nascerá. Assim como assim o hospital para onde ela se deslocava também não tinha lugar para a receber.
Longevidade: garantida. Tratando-se de uma comédias ligeira, o tom jocoso vem sempre ao de cima. Cada história tem um final feliz (o desenrascanço dá sempre certo) e como o público está farto de séries sobre hospitais todos modernos e em que tudo funciona, esta será uma lufada de ar fresco. E com muitas possibilidades de vários spin-off: polícias, bombeiros, soldados…

Nome: aquela em que as quotas são preenchidas aka as nações unidas em forma de série
Ideia: todo o elenco é constituído por mulheres pertencentes a todas as etnias e raças existentes no nosso planeta (incluindo as mais variadas tribos de indígenas). Acompanhamos as suas vidas normais (como só há mulheres, é óbvio que os casais que existem são do mesmo sexo)
Ideia do pilot: Margarida é mexicana e está apaixonada por Jassula, uma rapariga que mora na Cidade do Cabo e cuja relação com Maria, uma portuguesa de trás-os-montes, vai de mal a pior. Jassula não pode sair de África, Margarida é filha de Jacinta (a poderosa chefe de um cartel) e impedida por esta de ter encontros fora da sua etnia e Maria entretanto decide voltar para Portugal.
Longevidade: 100% garantida. Embora a história seja desinteressante, os actores de quarta linha e o argumento fraquíssimo, as quotas de diversidade precisam de ser preenchidas.

Um pensamento em “Crónicas (T3): Temas antigos, novas ideias”

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