Star Trek: Discovery – (1×13) – What’s Past is Prologue (Netflix)

O texto que se segue CONTÉM SPOILERS

A dois episódios do final da sua primeira temporada, “Star Trek: Discovery” conclui o arco no “mirror universe” e fá-lo de forma frenética, tal como a série, em apenas treze episódios, já nos habituou.

A surpreendente reviravolta (mais uma) no final do episódio anterior é daquelas que deixam marcas, proporcionando um vilão inesperado, um lobo na pele de cordeiro, um Lorca alternativo mas também definitivo. Outrora herói respeitado e líder destemido, a sua traição é extremamente mais complexa do que uma simples inversão de papéis. Está, por exemplo, num patamar acima da revelação em torno do Ash Tyler, porque reescreve a história no seu âmago ao derrubar um dos seus pilares.

Até aqui, a série tem sabido jogar com as emoções, tem conseguido tocar nos pontos sensíveis, graças à forma como fomenta a empatia dando-nos personagens sólidos, para puxar o tapete nos momentos mais oportunos para a história e inesperados para quem a acompanha. Revela segurança naquilo que pretende contar, orquestrando curvas e contra-curvas sem nunca fragilizar a história, e sente-se confortável na forma como o faz.

Claro que a partir do momento em que é conhecida a traição do Lorca, que a Burnham se torna numa espécie de avatar da audiência. Cada murro, cada tiro, é dela, é meu, é de todos. E só pode haver um desfecho, que é exactamente aquele que a série nos dá, deixando-nos uma pergunta e uma esperança: o que aconteceu ao Lorca na timeline original e quando é que este entrará em cena? Até porque o potencial regresso da Georgiou a tempo inteiro não é compensação suficiente.

Mas o episódio não acaba por aqui e serve-nos mais um twist. Regressa-se (supostamente) ao universo original, mas nove meses depois e numa altura em que os Klingons (aparentemente) saíram vitoriosos da guerra.

Para já, as reviravoltas na série têm resultado, mas a dúvida de até quando o conseguirá fazer com credibilidade começa a formar-se. Quando existem tantas reviravoltas definidoras da história e das personagens que a compõem em tão pouco tempo (só treze episódios), começa-se a suspeitar de quando chegará aquele momento em que o twist passa a existir só para que se diga que existe, só porque se tornou num dogma e há que respeitá-lo. Onde a consistência da história é descartada em detrimento de mais uma dose de adrenalina induzida por uma qualquer revelação à procura de tweets e likes. Já vimos isto acontecer por várias vezes, onde a dependência de um estilo adoptado se torna num espinhoso caminho (“Prison Break” vem rapidamente à ideia, onde os twists se tornaram tão absurdos que afundaram a série num mar de estupidez, ou “Game of Thrones”, onde o kill count é mais importante do que tudo o resto). Estaremos próximos de o ver em “Star Trek: Discovery”?

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