Star Trek: Discovery – (1×14) – The War Without, The War Within (Netflix)

O texto que se segue CONTÉM SPOILERS

“The War Without, The War Within” é um jogo político que procura dar contextualização ideológica, enquanto serve também como justificação para a continuação da “Mirror Georgiou” na trama. Sofre, porém, de falta de profundidade.

A consciência da Burnham volta a tramá-la e a sua decisão de trazer a “Mirror Georgiou” para este universo torna-se, naturalmente, problemática. A sua natureza, pautada por uma falta de escrúpulos inerente aos humanos do “Mirror Universe”, vai de encontro a tudo o que a Starfleet representa.

Ou será que vai?

É que, quando encostado às cordas, o ser-humano é capaz de tudo e as altas patentes dentro da organização rapidamente sucumbem à tentação de usar todos os meios possíveis para preservar a sua existência. Com a Terra ameaçada pelas forças Klingon e a existência da Federação em risco, joga-se tudo e este tudo implica usar o conhecimento da Georgiou para ganhar a guerra.

O problema é que o twist no final do episódio anterior, em que é revelado que os Klingons estariam à beira de ganhar a guerra, nunca chega a ser devidamente contextualizado, não havendo qualquer intenção de preencher os espaços resultantes do salto temporal de vários meses, durante o qual, sem se saber como ou quando, as forças Klingon ganharam vantagem e assumiram o papel de força dominante no conflito. Tudo parece mecanizado. Pior… orquestrado até, demasiado linear e conveniente. Falta espontaneidade à história e, principalmente, não deixar sentir que as peças do puzzle têm de forçosamente encaixar nos sítios supostos.

Mas não só de estratégia política se faz o episódio. O melhor está reservado para a relação Burnham-Ash Tyler/Voq, que aqui dá um passo enorme em direcção ao seu epílogo. Apesar de ser daqueles que achou que o romance entre os dois surgiu de forma algo repentina, não deixa de ser uma das histórias desta primeira temporada com maior impacto sentimental e as cenas partilhadas entre os dois resultam quase sempre na perfeição àquilo a que se propõem: mexer com as emoções. Tanto pelos diálogos, mas sobretudo pelo trabalho de ambos os actores, é nesta relação que tem residido a alma da série e, mesmo que esteja condenada, o que hoje parece ser um ponto final, amanhã poderá revelar-se um ponto e vírgula.

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