Pilot Season: Rise (NBC)

O texto que se segue NÃO CONTÉM SPOILERS

Jason Katims tem uma longa carreira na televisão norte-americana (foi ele que criou “Roswell”, por exemplo), mas foi com “Friday Night Lights” que conseguiu a devida atenção no meio. Mas se criar uma série que figure entre as melhores de sempre é um enorme feito para qualquer um, também implica uma cruz difícil de carregar. É que sempre que há um novo projecto ao qual se esteja associado, a expectativa é de um outro nível, esperando-se sempre, no mínimo, algo digno do patamar a que se ascendeu. No caso de Katims, essa cruz tem sido pesada. “Parenthood”, com um grande elenco, foi uma boa série, mas nunca se transcendeu. “The Path”  idem. De “About a Boy” e “Pure Genius” nem vale a pena falar. Com “Rise”, no entanto, Katims parece querer repetir a fórmula de FNL.

O problema é que a “aura” de “Friday Night Lights” não é algo propriamente fácil de replicar. Estamos a falar duma série que apesar de à superfície parecer focar-se no futebol americano, tão enraizado na cultura norte-americana e tão definidor na vida de milhões de pessoas (por ser um desporto praticado nas escolas; por ser uma porta para uma vida melhor, proporcionando àqueles que não dispõem de meios económicos ou de capacidades a nível intelectual de frequentarem o Ensino Superior), na verdade trata-se de um estudo à condição humana. E emular o conjunto de personagens que deram vida a FNL, relacionáveis e, sobretudo, sentindo-se como reais, aquilo que é a sua principal mais-valia, é complicado.

“Rise” respira FNL em termos de valores de produção, com uma estética (o modo de filmar, a fotografia) semelhante, que lhe potencia o sentimento a realismo, mas a maioria do conjunto de personagens apresentadas sente-se como pouco natural, demasiado refém de uma plastifiscação que parece inerente a histórias que se foquem no mundo do showbiz, mesmo que o meio artístico seja a nível amador (como é o caso). Com o tempo, caso este lhe seja concedido, existe aqui margem para progressão nesse sentido, desde que a série se consiga libertar das (legítimas) comparações a “Glee”, porque a série de Ryan Murphy tinha outro tipo de objectivos, e trilhe um percurso onde o mundo do espectáculo seja cenário, tal como o futebol-americano o era em FNL.

3 opiniões sobre “Pilot Season: Rise (NBC)”

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