1986: 1×02 – A Bordo do Challenger

O texto que se segue CONTÉM SPOILERS

Uma boa ideia nem sempre faz uma boa história.

Da mesma forma, uma boa história nem sempre faz uma boa série. Vi este episódio no dia a seguir ao piloto, aproveitando a boa ideia de disponibilizar todos os episódios de uma só vez no serviço de streaming da RTP Play e só posso dizer que me arrependi amargamente de o ter feito.

Não sendo fanático do binge watching, nem tendo ficado extraordinariamente entusiasmado com o piloto/primeiro episódio de “1986”, fiquei curioso com o conceito e genuinamente cheio de boa vontade para dar uma segunda oportunidade à série. Acho que as boas ideias merecem ser acarinhadas e considero que a continuidade do trabalho nos recompensa com o seu aperfeiçoamento.

Só que não estava à espera de que vendo dois episódios num tão curto espaço de tempo, colocasse a nu de forma tão evidente as debilidades que se anunciavam no primeiro episódio atenuando as virtudes que tinha demonstrado.

Desde logo porque aparecem mais personagens adultos que, surpreendentemente, têm um desempenho demasiadamente forçado. Se anteriormente havia levantado a possibilidade de que aquele overacting fosse uma opção, agora excluo-a. É demasiado irritante para ter sido voluntário. Era necessário ter interpretações mais naturais, por dois motivos: primeiro e mais importante, fazer fluir naturalmente uma década que causa estranheza em muitos espectadores, e mesmo em quem a viveu; em segundo lugar como elemento de compensação ou atenuar a inexperiência evidenciada pelos mais jovens.

Mesmo o aparecimento de uma actriz mais experiente como a Ana Bola ficou muito abaixo das expectativas. Foi mais do mesmo, o mesmo personagem de sempre e a mesma rábula de antanho.

A própria abordagem à história começa a derrapar quando vai tendo apontamentos de sketches. Era desnecessária aquele contraponto à vida dupla e secreta da menina gótica que afinal em casa é uma hippie. Nada adianta à narrativa, a não ser fazer sorrir. Diga-se que a actriz, até ao momento, é aquela que mais parece à vontade no papel, parecendo ser uma boa escolha.

Diferente são os outros jovens do elenco. Julgo faltar homogeneidade nas interpretações, sendo evidente capacidades de interpretação demasiado desiguais. Genericamente não convencem.

Em pano de fundo duas histórias em redor da mítica revista “Gina” e do lançamento de mais um “vai e vem” com consequências trágicas. Enquanto o primeiro fica no campo da anedota, o segundo é canhestramente utilizado para ilustrar o machismo da sociedade à altura e os sonhos da jovem protagonista. O cliffhanger do primeiro episódio, ficou para segundo plano.

Apesar das boas ideias que cá estão. Pequenos apontamentos que nos tocam, espoletam lembranças e rasgam sorrisos. O apontamento do comando à distância, uma novidade à altura. Aquela de se levantar para ir buscar o comando, mudar o som e voltar a colocar foi, de certeza, real. Comigo não foi o comando. Foi a própria televisão. De imediato me recordei da mãe de um colega, dona de casa a tempo inteiro, que chegada as 5 horas, nos expulsava da sala pois era chegada a hora de limpar a sala “para os senhores do telejornal não verem aquela desarrumação”!

No entanto, o ponto de que menos gostei no episódio – e que se repete incessantemente nos seguintes – foi a necessidade de, em praticamente todas as sequências, termos uma qualquer música dos anos 1980 a pontuar a acção. É redundante, introduz ruído… Não precisamos que nos gritem “anos 80, anos 80” em todos os frames, nem a série pretenderia ser um best of musical da década.

Aliás, o “DJ Top Jackpot” não é o Tiago. É a própria série.

Um pensamento em “1986: 1×02 – A Bordo do Challenger”

  1. É engraçado que sem ter visto uma cena sequer da série era exactamente esta a ideia que tinha de como ela ía ser…
    E o hype que o Markl, expectavelmente, lhe tentou dar tb não terá ajudado à percepção final de quem visualizou os episódios.

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