Wild Wild Country (Docuseries): Quando a realidade se assemelha a ficção

O texto que se segue NÃO CONTÉM SPOILERS

Contado, ninguém acredita. Não é bem por estas palavras, mas no início da série documental produzida pelos irmãos Duplass há uma frase que remete exactamente para determinados acontecimentos em que realidade é tão surreal que parece ficção. A história que “Wild Wild Country” reconta é um deles.

No início dos anos 80, com a chegada do guru Bhagwan Shree Rajneesh (Osho) e os seus seguidores aos EUA, e a solidificação da comunidade de Rajneeshpuram no Oregon, iniciou-se uma “guerra” entre os locais, nomeadamente da pequena povoação de Antilope, e os recém-chegados que rapidamente escalaria e ganharia a atenção a nível das entidades governamentais e da opinião pública.

Durante seis episódios de mais de uma hora cada, alternando imagens de arquivo que nos transportam directamente para os eventos e testemunhos actuais que enquadram esses mesmos acontecimentos, “Wild Wild Country” reconta o período de cerca de cinco anos em que o braço-de-ferro entre os mais proeminentes neo-sannyasins (também conhecidos como Rajneeshees, por serem seguidos de Rajneesh) e a população local e algumas entidades governamentais tornaram aquele ponto do globo o foco de atenção nos EUA e em boa parte do mundo até.

O grande triunfo da série é a forma como é estruturada, sendo narrada imparcialmente, dando uma visão global dos acontecimentos e permitindo ao espectador identificar-se com o lado da história que entender. É objectiva, isenta, evitando preconceitos e, acima de tudo, não se deixando cair na tentação de criar heróis e vilões, fugindo ao facilitismo de uma abordagem sensacionalista a que o tema até está algo predisposto.

E isso sente-se sobretudo na maneira como dá vida aos seus “personagens”. Há uma multidimensialidade nas “personagens” que lhes é inerente quando são reais, mas que nem sempre é capturada pelas câmaras na sua plenitude (inadvertida ou propositadamente), mas “Wild Wild Country” consegue-o. Estamos a falar de pessoas com ideais de valor e valores íntegros que, pela força das circunstâncias, sucumbem à pressão exercida pela necessidade de sobrevivência. As reacções, calculadas ou extemporâneas, são reflexo da natureza humana. Nada mais.

Seja pelo fascínio resultante da surrealidade da história, que não esmorece (bem pelo contrário) à medida que a mesma se desenvolve, ou pela visão livre de preconceitos dos seus realizadores e produtores, “Wild Wild Country” é mais uma entrada triunfante nesse “novo” mundo das séries documentais. Sem dúvida, a não perder.

3 opiniões sobre “Wild Wild Country (Docuseries): Quando a realidade se assemelha a ficção”

  1. Bela malha esta. É como escreves, o maior trunfo é mesmo apresentar uma visão bem imparcial e a forma como está estruturada. Nota-se desde o início que a intenção deles é apresentar ambos os lados da história da mesma forma. Eu cheguei ao fim sem pender para lado nenhum. Compreendo ambos lados e acho que há vilões e heróis em ambos. E mexe connosco.

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