The Handmaid’s Tale: 2×07 – After (Hulu)

O texto que se segue CONTÉM SPOILERS

June. Emily. Janine. Alma. Brianna. Dolores. Deidre. Sara. Erin. Marilyn…

Chovem nomes no pós-atentado da República de Gilead. Belíssima a cena no mercado. Mesmo depois de tudo pelo que já passaram ao contrariar a ordem, continuam-se sorrateiramente a estabelecer alianças. Uma vez mais, o poder do nome. A resiliência da individualidade.

Dito incontáveis vezes no curso da série, mas “After” é mais uma amostra do quão soberba se apresenta a direcção de fotografia de “The Handmaid’s Tale”. Das mais coesas séries a povoar o panorama televisivo, em grande parte se devendo à harmonia visual que lhe é constante semana após semana. A abertura do episódio é um orgasmo visual ímpar – um pouco danificada, uma vez mais, pela escolha musical -, com planos aéreos que movem as manchas de cor como peças por entre o branco da neve. Percurso mecânico e imaculado. Na viagem de regresso, June (Elisabeth Moss) observa pelo vidro do carro os enforcados no exterior das casas. Ao invés de se fechar o plano, de forma a individualizar e destacar cada forca, opta-se por um enquadrar passageiro e assente no olhar da própria protagonista. Anonimato. Indiferença. A escalada de planos a comunicar os acontecimentos como inatos à ordem dos dias.

Numa temporada que move as personagens no espaço geográfico sem nunca lhes entregar qualquer hipótese de liberdade, abandona-se o cenário das Colónias de vez (?). A opção mais acertada, visto não haver um motivo narrativo forte o suficiente para um retorno ao local. Voltam a reunir-se num só espaço todas as handmaids preponderantes. No entanto, fica no ar a sensação de um subaproveitamento das Colónias como espaço narrativo recém-introduzido.

Movem-se as peças no tabuleiro Waterford. Uma subtil jogada de poder que visa à sobrevivência do bebé por vir. June, com medo por Nick, planta a ideia em Serena que, por sua vez, toma uma posição e pede ajuda a Nick. Não deixa de ser irónico que seja nesse aliar de opostos, que se encontra forma de contornar uma ameaça vinda do exterior. Sem que haja a necessidade de um constante elucidar, é dado adquirido que se manobram interesses com via ao que esconde o ventre. “The Handmaid’s Tale” apresenta-se cinzenta nas acções e subtil na forma como as coloca na bandeja.

Por último, Samira Wiley merece o devido destaque. Capaz de despertar o espectro emocional do espectador – alguma vez adormecido? – através de uma total estranha à narrativa. Ao contrário daquilo que se vive actualmente em “Westworld”, aqui cada morte deixa marca, por mais anónima que seja.

2 opiniões sobre “The Handmaid’s Tale: 2×07 – After (Hulu)”

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