O Bom, o Mau e o Vilão: Breve catálogo sobre incêndios e tipos de incendiários – outros quadrantes, velhas questões

Após uns meses de interregno forçado, aqui vem um especial arreliador temático a cada uma das áreas às quais normalmente destilamos mel e fel.

É só vilania…

O Vilão

Futebol!!!!

O poder do futebol é algo que me deixa perplexo. Já assisti a debates políticos a serem interrompidos porque um treinador chegava ao aeroporto. O completo desrespeito pelo horário dos programas televisivos em detrimento do futebol é algo constante.

Mas a situação do Sporting, é algo que consegue ir para lá de qualquer outra situação mediática, excepção feita às de grandes crises como as tragédias humanas, guerras ou actos terroristas.

Nos últimos tempos assistimos a uma tentativa de silenciamento da comunicação quando um determinado presidente de um club, exortou os adeptos desse clube a deixarem de assistir aos noticiários dos canais televisivos, e verem apenas o canal do clube, canal esse que do ponto de vista editorial se revelou (como basicamente todos os do género) completa e totalmente parcial não noticiando, antes industriando.

 Futebol(????) Falado

Sucederam-se milhentos programas de debate televisivo na sequência da invasão da Academia do Sporting. Uma parte desses programas permitiram o insulto (muitas vezes polido e pseudointelectual, mas insulto). Gastaram-se horas infindas a debater a terra plana e com directos a partir dos intestinos das não-notícias. Deplorável.

Pelo meio o histerismo de curta duração da Selecção Portuguesa na Rússia (ver abaixo).

  Histerismo Nacional

Ui que é desta que vamos ser campões mundiais. Bom, afinal não, mas estivemos quase a passar para os quartos.

O problema foi tudo aquilo que envolveu até à eliminação. As recepções em directo das instituições. A transmissão do jantar de despedida (ok, o jantar não foi transmitido, mas quase e daqui a quatro anos, não sei não). Lembram-se que ficámos a saber da ementa?

A chegada à Rússia, os directos dos treinos para percebermos a avaliação que os jornalistas faziam do impacto que as agressões e a situação em Alcochete teve nos jogadores do Sporting (gosto de perceber que uma das novas cadeiras do curso de Comunicação Social é “Linguagem Corporal e Expressões Faciais I e II”).

Os directos de todo o lado de gente que estava a ver os jogos.

Será que não podemos ter apenas futebol, a menos importante das coisas mais importantes?

Contratações galácticas

Cristiano Ronaldo deve vender muitas revistas e jornais (além de camisolas) e ser óptimo para as audiências. O afã dos jornalistas em esmiuçar os pormenores (pormicroscópicos) mais desinteressantes que existem foi inexcedível. Tanto tempo perdido, tantos recursos desperdiçados,…

Horas e horas de debates para entreter audiências com coisas sérias

 No “Bom” falei no papel globalmente positivo da cobertura ao resgate dos jovens tailandeses aprisionados numa gruta. Mas há um aspecto menor em toda aquela situação a que me refiro por ser uma tendência que começa a ser recorrente: as horas e horas infinitas de debate com especialistas sobre o acontecido. Assisti a tudo. Desde quem sabia claramente do que estava a falar, até a quem se calhar até sabia do que estava a falar mas aquilo que diziam não devia ter espaço. E no limite, a quem não sabia mesmo do que estava a falar, mas tinha alguma vacuidade para dizer.

Alguns exemplos avulsos, mas inócuos a que assisti entre a incredulidade e o divertimento: a comparação do comportamento daqueles jovens com o dos portugueses/europeus/ocidentais; o tempo inacreditável que se demorou a dissecar a importância do budismo na regulação do comportamento na tomada de consciência do “eu” vs o “nós” ou mesmo na capacidade de jejum do jovem treinador.

Foi dramático, foi heroico, mas deveríamos procurar focar-nos no que essencial na informação. O problema é que já foi assim – que me recorde – na invasão da Academia do Sporting e nos incêndios…

Mais incêndios, outros quadrantes, velhas questões

… e por falar em incêndios, a Grécia vive uma situação similar à nossa no ano transacto. Temos o mesmo problema audiovisual, mas com o distanciamento que alguns milhares de quilómetros e uma língua para nós indecifrável colocam. Na televisão grega, pelo pouco que se vai percebendo, não é muito diferente do que aqui se passou: o mesmo efeito choque, as mesmas entrevistas inúteis.

O jornalismo catástrofe que se pratica é um problema. Não tão grande como as tragédias humanas que retrata, mas um problema…

Para quando a acção?

Não é deste espaço do “Vilão” televisivo: mas quando é que teremos consenso por algo que não se consegue negar: as alterações climáticas são uma realidade e estão aqui para ficar e para se acentuarem. Não são só os incêndios no Sul da Europa, mas também no Reino Unido e na Suécia, acompanhados por temperaturas que não são de todo comuns naquelas latitudes.

E isto é apenas a ponta do iceberg… enquanto o aquecimento global não tiver fundido todos os icebergs e deles ficar apenas uma remota memória num planeta tropical repleto de arquipélagos com ilhas outrora partes de continentes.

E depois…

 

 

 

2 opiniões sobre “O Bom, o Mau e o Vilão: Breve catálogo sobre incêndios e tipos de incendiários – outros quadrantes, velhas questões”

  1. Concordo a 100% não percebo mesmo o interesse em dissecar um jogo até ao mais ínfimo pormenor, falar da relva, dos penteados de tudo e mais alguma coisa, hora e horas sobre um mesmo assunto que espremido dava um grande nada cheio de coisa nenhuma! Um jogo é para ver, sentir, sofrer com isso (se for caso disso) na altura e depois acabou, cada um vai à sua vida e aquilo não vai acrescentar nada à vida do comum dos mortais!

    Claro que há mais TV para ver e quem não gosta pode mudar de canal, mas o facto destes programas continuarem a ser lideres de audiências é um retrato muito deprimente de um país e será que é por isso que o jornalismo de qualidade está a ir pela fossa?! As pessoas querem mesmo ouvir perguntas parvas a ser feitas? Ah e tal quantos golos acha que vão marcar? Quem vai ganhar? Epah não sei vou ali à bola de cristal ver e já te digo! E colocarem o cronómetro da contagem decrescente para o jogo…sem palavras

    O caso que referiste, dos miúdos na Tailândia, tive curiosidade em perceber o que se estava a passar e como iria decorrer o salvamento mas houve um ou outro momento em que senti aquele momento de vergonha alheia a ouvir certos comentadores na TV tal era a parvoíce.

    Ainda tento ver os nossos telejornais porque supostamente a probabilidade de ter noticias deste país é maior mas tem sido difícil. O que me assusta é que isto parece uma tendência universal e nas noticias escritas então, parece que cada vez há menos prazer em fazer as coisas bem feitas tal é apressa de ter um clikbait.

    E pronto era só para demonstrar que há mais pessoas “revoltadas” com o estado em que a nossa TV e jornalismo se encontram.

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