Iron Fist (T2): Secundários ao poder

O texto que se segue CONTÉM SPOILERS

As segundas temporadas costumam ser complicadas. Para aquelas série que tiveram óptimas estreias, o segundo tomo tem tendência a perder algum do fulgor, seja pela repetição de temas, seja pelo medo de arriscar algo novo numa fórmula que comprovadamente funciona. Já para as séries que tiveram os seus percalços desde início e que têm a sorte de regressar, a segunda temporada é a verdadeira prova de fogo, dando a oportunidade de mostrar se há ou não ali algo que vale realmente a pena descobrir. Felizmente, “Iron Fist” conseguiu fazê-lo nesta sua segunda aventura, e tudo isso graças às personagens “secundárias”.

A maior (e mais verdadeira) crítica que se fez à primeira temporada desta série foi que, enquanto protagonista, Danny Rand era uma personagem muito pouco cativante. Ao mesmo tempo arrogante e ingénuo, era difícil apegarmo-nos a este milionário bonitinho que passava o tempo a falar do seu chi e da sua missão enquanto o protetor imortal de K’un L’un. E tinham toda a razão. Não podemos pôr a culpa somente nos ombros de Finn Jones, que chegou tarde à história e teve de trabalhar com o pouco que lhe deram, mas ainda assim, conjugando todos os factores, era fácil descartar a série. Até que chegámos a “The Defenders” e se deu o encontro com os restantes heróis da Netflix. Foi nesse momento que Danny começou a desabrochar, graças em grande parte às muitas bocas que ouviu, à forma como os restantes heróis (especialmente Jessica Jones) o conseguiram pôr no seu lugar e à parceria muito certeira (e muito esperada) com Luke Cage. Embora o team-up não tenha sido o portento que esperávamos, ainda assim permitiu ver o crescimento de alguns personagens, e acabou por beneficiar este regresso de “Iron Fist”.

Danny entrou bem na história da segunda temporada, deixando de lado os seus ares de menino rico e tentando viver uma vida mais normal em Chinatown, ao lado da namorada. Mas, como não podia deixar de ser, tudo não passou da calma antes da tempestade. De um lado, a derrota da Hand faz com que as diversas tríades se envolvam em guerras pelo controlo do poder e ameacem a cidade. Do outro lado, Davos continua furioso pela destruição de K’un L’un e alia-se a Joy para agarrar aquilo que acredita ser o seu direito inato. Pressionado dos dois lados, Danny é forçado a agir e a questionar se é merecedor da força que carrega. E no final, a sua decisão de recusar o poder e partir é surpreendente, mas bem-vinda, abrindo caminho a uma terceira temporada que promete.

Se a evolução de Danny merece nota positiva, aquilo que fez a temporada foi, sem dúvida, o maior destaque dado às personagens secundárias – aquelas que, já no primeiro tomo, se revelaram o melhor da história. Por muito que a série seja sobre a evolução de Danny Rand, é Colleen Wing quem mais se destaca ao longo destes 23 episódios. De sensei a serva da Hand, de sidekick a detentora do coração de dragão, Colleen, mais do que todos, provou que tem o que é preciso para ser a próxima Iron Fist, e que a sua força de carácter e compaixão, aliadas à sua genealogia (que certamente será o tema da próxima temporada), irão transformá-la numa das maiores defensoras deste cantinho de Nova Iorque. E porque todos os bons heróis precisam de parceiros ao seu nível, reiteramos aqui o pedido de um spin-off para as Daughters of the Dragons, com Misty Knight e Colleen Wing. Não é pedir muito para a dupla que passou a temporada inteira a resolver os problemas causados por um certo Iron Fist…

A segunda temporada de “Iron Fist” foi uma temporada de crescimento. Danny percebeu não era digno e Colleen aceitou a sua força, mas no final, a maior evolução acabou por ser de outro: Ward. Uma das personagens mais absurdas da primeira temporada, é interessante ver que, de repente, são as suas cenas que mais queremos ver. Os golpes que sofreu na temporada anterior e a morte definitiva do pai ajudaram a mudar Ward, forçando-o a confrontar os seus demónios e a tentar encontrar um novo caminho. E se esse caminho está a ser difícil de percorrer, de certeza que a viagem que enceta com Danny vai ser importante para o seu futuro. Uma amizade que, esperamos, venha a ser aprofundada, e que permita a Ward descobrir o seu verdadeiro eu. A única coisa que pedimos é que, pelo caminho, Ward não perca o seu sarcasmo, porque é uma das suas melhores facetas, especialmente neste grupo de personagens tão sérias.

Numa temporada claramente superior à primeira, mas ainda a necessitar de melhorias, especialmente a nível dos vilões (Davos nunca conseguiu marcar posição, e a estreante Typhoid Mary esteve interessante, mas não chega a ser uma verdadeira oponente), “Iron Fist” conseguiu, surpreendentemente, quebrar a maldição das segundas temporadas das séries da Netflix*, e apresentar-nos uma história mais sólida e que nos deixa na expectativa de ver o que irá acontecer a seguir. Só por isso, já valeu a pena vê-la.

* Ainda não vi a segunda temporada de “Luke Cage”

PS – Conselho de amiga: quando chegarem ao final do último episódio, não passem à frente, caso contrário perdem o promissor regresso do homem sem medo…

 

4 opiniões sobre “Iron Fist (T2): Secundários ao poder”

  1. Vou para o ep 6.
    Está assim assim. As cenas de luta parecem melhor mas é estranho que tantos mafiosos e nenhum use armas de fogo. 🙂

    não me recordo do final da primeira temporada para perceber toda esta raiva de Joy para com Danny.

    vamos ver como acaba

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